Preservação da Memória Histórica
Na manhã desta terça-feira, a coluna do Jornal de Fato traz à tona uma preocupação muito relevante: a preservação da memória do fundador de Mossoró, Antônio de Souza Machado, pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Pedimos atenção especial da reitora Cicília Maia para um assunto que tem gerado inquietação entre os mossoroenses.
Um dos poucos tributos à história da cidade, a Praça Antônio de Souza Machado, localizada ao lado do Clube Aceu, corre o risco de ser transformada em um estacionamento para a Reitoria, o que, conforme muitos acreditam, é um equívoco. Este espaço é de grande relevância, não apenas pela sua história, mas também pela simbologia que carrega. Nele, por exemplo, Celina Guimarães fez história ao se tornar a primeira mulher eleitora da América Latina e a primeira a apitar uma partida de futebol.
A Importância da Praça Antônio de Souza Machado
A transformação da praça em um estacionamento seria, sem dúvida, um desrespeito à rica herança cultural que aquele local representa. O espaço serviu como o berço de muitos acontecimentos que ajudaram a moldar a identidade de Mossoró. A antiga Fazenda Santa Luzia, que foi o lar de Antônio de Souza Machado, simboliza o início da cidade e a devoção à Santa Luzia, que persiste até hoje.
O sargento-mor português Antônio de Souza Machado, que construiu a Capela de Santa Luzia, é uma figura fundamental para a história local. Ele fez uma promessa à sua esposa, dona Rosa Fernandes, que resultou na popularidade da devoção à Santa, cuja imagem continua a ser reverenciada por seus habitantes. A Fazenda Santa Luzia se transformou em povoado há mais de 250 anos, e sua história é entrelaçada à evolução de Mossoró.
A Responsabilidade da Uern na Preservação Histórica
O papel da Uern vai além da simples educação; a universidade deve ser um defensor da história e da memória coletiva. Muitas vezes, as instituições têm a tendência de priorizar o espaço físico em detrimento da preservação cultural, mas essa não deve ser a postura da Uern. A reitora, doutora Cicília Maia, tem a responsabilidade de garantir que a história do fundador de Mossoró não seja esquecida, mas sim celebrada e lembrada por futuras gerações.
Quando pensamos em eliminar um espaço que narra a origem de uma cidade como Mossoró, isso pode ser interpretado como uma tentativa de apagar o que há de mais valioso em nossa cultura. As máquinas, se forem utilizadas para modificar a praça, devem fazer isso com a consciência da importância que o local carrega para a história mossoroense.
Um Apelo pela Memória Coletiva
Na carta endereçada à reitora, é destacado que, mesmo diante de mudanças e modernizações, a memória e a história não devem ser sacrificadas. A Uern, sendo um centro de saber, deve servir como guardiã do legado que Antônio de Souza Machado deixou. A preservação da praça é um passo necessário para que novos mossoroenses entendam suas raízes e a importância do passado.
Como cidadãos, devemos nos unir para que a história não desapareça sob a poeira do tempo moderno. O legado de Antônio de Souza Machado deve ser celebrado e honrado, e isso começa com o reconhecimento da Praça Antônio de Souza Machado como um espaço de memória e reflexão.
Agradecemos, finalmente, a atenção da reitora Cicília Maia e esperamos que ações concretas sejam tomadas para garantir que a história de Mossoró continue a ser uma parte viva da identidade da cidade.
