Investigação Revela Potêncial Presença de Petróleo
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) iniciou uma investigação para identificar a possível presença de petróleo em uma propriedade localizada em Tabuleiro do Norte, região do Baixo Vale do Jaguaribe. A suspeita surgiu após uma família do Sítio Santo Estevão encontrar um líquido escuro e viscoso durante a perfuração de poços artesianos.
A descoberta foi feita por Sidrônio Moreira em 2024, quando ele decidiu perfurar um poço com mais de 40 metros de profundidade na busca de água para sua casa, onde vive com a esposa e dois filhos. Contudo, ao invés de água, o que emergiu foi um material negro, denso e com um odor semelhante ao de óleo automotivo.
“Quando cheguei aqui, sem água, pensei: ‘Vou furar um poço’. Chamei minha esposa, fizemos um empréstimo e executei a perfuração. O que encontrei foi esse material”, conta Sidrônio. “Começou a sair um óleo na haste da máquina. Chamei o operador, ele parou e eu percebi o cheiro. Outros acharam graça: ‘É óleo isso aqui’”, relatou ao portal do IFCE.
Nova Tentativa de Perfuração e Coleta de Amostras
A equipe familiar decidiu tentar uma nova perfuração, a aproximadamente 50 metros do primeiro poço. Entretanto, ao invés de água, encontraram novamente o mesmo material negro. Após fechar os poços, por incentivo do filho mais velho, Sidney, Sidrônio adquiriu uma linha de náilon e um recipiente para coletar o líquido, que foi encaminhado ao campus do IFCE em Tabuleiro do Norte.
No campus, o material foi analisado pelo engenheiro químico Adriano Lima, que recebeu as fotos da descoberta e requisitou uma amostra do líquido. Depois, essa amostra foi enviada para Mossoró (RN), onde se realizam operações de extração onshore de petróleo.
“Contamos com a colaboração do Núcleo de Pesquisa em Economia de Baixo Carbono da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), com o suporte dos professores Frederico Ribeiro e Daniel Valadão. Realizamos algumas análises físico-químicas, focando na densidade, viscosidade, cor e odor característico. A partir dos resultados, constatamos que o material se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades similares ao petróleo encontrado na Bacia Potiguar”, explicou Adriano.
Orientações e Riscos Associados à Descoberta
Os especialistas informaram à família que o material encontrado possui características semelhantes às do petróleo e, apesar de estar em uma propriedade privada, é de propriedade da União. Por conta disso, foram orientados a contatar a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A equipe também alertou a família e vizinhos sobre o potencial poluente do material, enfatizando a importância de cuidados adicionais. “Reiteramos que a descoberta em um poço raso, em uma área onde não havia registros anteriores, não deve incentivar a população a buscar o mesmo. Primeiro, a legislação proíbe. Segundo, há riscos envolvidos. Qualquer intervenção sem o equipamento e as orientações adequadas pode contaminar o lençol freático ou o aquífero, prejudicando a comunidade e produzindo um crime ambiental”, ressalta o engenheiro.
Continuação da Busca por Água
A busca por água pela família, no entanto, ainda persiste. Sidrônio expressou o anseio de que as investigações oficiais prossigam: “Gostaria que viessem aqui para ver e continuassem a análise, pois qualquer resultado seria valioso para nós. A falta d’água é uma calamidade imensa por aqui”, finalizou.
