Preocupações sobre a Paralisação do Estadual
O técnico do Potiguar, Emanoel Sacramento, não escondeu sua preocupação após a partida contra o Globo FC. Ele já previa que a situação enfrentada pelo futebol potiguar poderia levar a uma paralisação, o que se confirmou poucas dias depois. A Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol (FNF) anunciou a interrupção do Campeonato Estadual, que se encontra sub judice devido a uma decisão do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). O América sofreu uma penalização de 18 pontos, o que o relega à segunda divisão, e a equipe busca reverter esta decisão.
Na coletiva pós-jogo, Sacramento expressou sua apreensão, não apenas com os efeitos esportivos da pausa, mas principalmente com as consequências financeiras e emocionais que os clubes e atletas poderiam enfrentar. “A preocupação é gigante; quem vai manter esses rapazes (atletas)? Não é só parar o campeonato, tem um monte de coisa envolvida. A questão fisiológica, do dia a dia está tranquila; vamos dar o treinamento, mas a parte emocional e financeira dos clubes do Rio Grande do Norte comporta isso?”, ponderou o treinador.
Desafios Financeiros para os Clubes
Sacramento também se questionou sobre a capacidade das equipes de lidarem com essa ausência de jogos. “Será que o Globo vai conseguir se manter? E o Santa Cruz? O Laguna, apesar de ser um clube SAF, como está sua saúde financeira?”, indagou, ressaltando as dificuldades que muitos times do interior podem enfrentar durante esse período de inatividade.
A paralisação, além de afetar a dinâmica dos jogos, apresenta um impacto direto nas receitas dos clubes, que dependem das partidas para garantir a continuidade das suas atividades. Enquanto isso, as despesas relacionadas à folha salarial, logística e outros custos operacionais permanecem constantes. Em times menores, como o Potiguar, os desafios se intensificam, já que essas instituições possuem menos recursos financeiros para suportar longos períodos sem atuar.
Possíveis Desdobramentos Legais
A situação do América deve transcender o âmbito estadual. O caso provavelmente será levado ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) no Rio de Janeiro, o que poderá prolongar ainda mais a indefinição sobre o campeonato. O julgamento do TJD, que estava agendado para o dia 13, foi adiado para o dia 19, após o Carnaval, aumentando a incerteza sobre o calendário e os contratos dos clubes.
O desfecho dessa situação é aguardado com expectativa, pois, com a competição paralisada, tudo fica em suspenso: planejamento, contratos e expectativas de torcedores e atletas se tornam uma grande incógnita. A fala de Sacramento reflete um sentimento geral entre os profissionais do futebol potiguar, que enfrentam desafios não apenas dentro de campo, mas também no que diz respeito à viabilidade econômica dos clubes.
Impacto no Futuro dos Clubes do Interior
O impacto da paralisação é ainda mais significativo para os clubes do interior, que dependem do Estadual para a sobrevivência e continuidade de suas atividades. Sem a realização de partidas, as receitas caem, enquanto as despesas continuam a pesar sobre as contas. A comissão técnica do Potiguar tenta manter o foco dos atletas nos treinamentos, mas admite que a falta de competições afeta o ritmo e a saúde emocional do elenco.
Essa situação expõe as fragilidades estruturais do futebol potiguar, um ponto que Sacramento já havia antecipado em sua análise. A interrupção do campeonato não é somente uma questão jurídica, mas uma situação crítica que pode determinar o futuro de muitos clubes no estado. À medida que a data do novo julgamento se aproxima, a expectativa é de que os envolvidos busquem soluções para minimizar os impactos e garantir a continuidade do futebol no Rio Grande do Norte.
