Mentira sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida mobiliza esquerda
Na última sexta-feira (25), uma mensagem de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo Lula, incentivava a circulação de uma falsa notícia: Flávio Bolsonaro (PL) teria a intenção de retirar o título de padroeira do Brasil conferido a Nossa Senhora Aparecida. A postagem foi posteriormente apagada, mas a disseminação da mentira ganhou força entre líderes e parlamentares da esquerda, que adotaram uma postura cínica para alimentar a narrativa sem mencionar diretamente o ex-senador.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) foi uma das figuras que contribuíram para essa estratégia. Sem citar Flávio Bolsonaro, publicou um vídeo afirmando proteger as tradições religiosas das famílias brasileiras enquanto Lula e ele governarem o país. Entretanto, essa declaração contrasta com manifestações recentes do presidente Lula, que criticou publicamente aspectos centrais da Igreja Católica, como o celibato dos padres e o sacerdócio exclusivo aos homens. Além disso, o presidente defende a ampliação do direito ao aborto, contrariando a doutrina católica que protege a vida desde a concepção.
Repercussão e articulação política em torno da data da padroeira
A festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é celebrada em 12 de outubro, data que se aproximava quando a controvérsia ganhou força. A esquerda aproveitou o momento para ampliar a narrativa, com a primeira-dama Janja publicando uma foto de Lula segurando a imagem da santa acompanhada de uma oração. Simone Tebet (PSB), ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo, compartilhou uma imagem do Santuário de Aparecida com uma mensagem de proteção ao país. Parlamentares de partidos como PT, PCdoB e PSOL também divulgaram mensagens similares, reforçando a ideia de defesa da fé católica contra uma suposta ameaça da direita.
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Esse movimento ocorreu mesmo após a GloboNews divulgar uma retratação, reconhecendo que a informação era falsa, e Flávio Bolsonaro desmentir a acusação. A campanha do ex-senador rastreou o início da circulação da mentira, identificando postagens de perfis alinhados ao PT, sugerindo possível coordenação na propagação da narrativa.
Decisões judiciais e reações institucionais
O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, determinou a retirada das publicações que reproduziam a informação falsa, o que gerou acusações por parte de aliados do governo Lula, que passaram a acusar Mendonça de censurar manifestações religiosas. No domingo (27), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, revogou a decisão em resposta a um pedido do humorista Antonio Tabet, que teve uma postagem removida da rede social X por conter a narrativa desinformativa.
Parlamentares da esquerda continuaram a alimentar o debate, usando discursos que misturavam defesa da fé com críticas indiretas a Flávio Bolsonaro, evitando confrontos diretos para escapar de acusações legais. Em meio ao cenário, surgiram manifestações mais contundentes, como a da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que associou o projeto de lei arquivado de 2007 ao bolsonarismo, e a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que alertou para a possibilidade do retorno da proposta na conjuntura eleitoral.
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Fonte: acreverdade.com.br
Críticas jurídicas à decisão do STF
Especialistas em Direito Eleitoral manifestaram preocupação com a decisão de Flávio Dino. Georges Humbert, pós-doutor em Direito, ressaltou que a liminar do TSE visava apenas impedir a divulgação da afirmação falsa sobre Flávio Bolsonaro, preservando críticas e sátiras legítimas. Segundo ele, a decisão do STF desloca o foco do debate do fato para a religião, o que pode chancelar narrativas sem fundamentação, afastando o papel constitucional da Corte durante o processo eleitoral.
Outro crítico foi o ex-juiz Adriano Soares da Costa, que acusou o ministro de autorizar a circulação de fake news e apontou contradição entre essa decisão e discursos anteriores sobre combate à desinformação. Para ele, a medida evidencia um ativismo judicial que favorece determinados grupos políticos, comprometendo a credibilidade das instituições eleitorais.
Desdobramentos e próximos movimentos políticos
O episódio expõe a complexidade das disputas eleitorais brasileiras, onde narrativas falsas são usadas para mobilizar bases de apoio e minar adversários. A articulação da esquerda em torno da imagem de Nossa Senhora Aparecida revela uma estratégia que mistura fé, política e comunicação para influenciar a opinião pública. A resposta do Judiciário, marcada pela controvérsia e críticas, indica que o tema ainda deve gerar novos capítulos nos tribunais e no debate público, especialmente com a aproximação das eleições. A sociedade e as instituições seguem atentas aos impactos dessas decisões no equilíbrio do processo democrático e na proteção da verdade no ambiente eleitoral.
