Hidratação: Muito Além da Água
A ingestão de líquidos é fundamental para a saúde, mas a hidratação pode ser feita de várias maneiras, não se restringindo apenas ao consumo de água. Apesar da crença popular de que devemos beber cerca de oito copos de água diariamente, essa afirmação não possui respaldo científico. Dan Negoianu, nefrologista da Universidade da Pensilvânia, ressalta que “não há dados concretos que sustentem essa recomendação”. Ele ainda menciona que a cor da urina não é um indicador confiável de desidratação, como muitos acreditam.
Para Negoianu, a verdadeira definição de estar hidratado é consumir líquidos suficientes para não sentir sede, e essa quantidade pode variar de pessoa para pessoa. O especialista alerta que existem diversas fontes de hidratação além da água pura, e acrescenta que incluir alimentos e bebidas na rotina diária pode ser extremamente benéfico para a saúde.
Fontes de Hidratação na Alimentação
Segundo Tamara Hew-Butler, cientista em medicina esportiva da Universidade Estadual Wayne, “muitas vezes acreditamos que precisamos beber água em excesso devido a informações repetidas na sociedade”. No entanto, alimentos e bebidas com alto teor de água também desempenham um papel crucial na hidratação do corpo.
Frutas e vegetais frescos se destacam como excelentes opções por conterem uma quantidade significativa de água e fibras, contribuindo assim para a saúde em geral. Melancias, morangos, laranjas, uvas, pepinos e aipo são exemplos de alimentos que não apenas hidratam, mas também oferecem outros benefícios nutricionais.
Além disso, várias bebidas como sucos, leite, chá e até mesmo café também podem auxiliar na hidratação. Embora bebidas açucaradas não sejam a melhor escolha nutricional, estudos indicam que elas são igualmente eficazes em fornecer líquidos ao corpo, assim como a água. Em dias quentes, picolés e sorvetes também são uma alternativa refrescante para garantir a ingestão de líquidos.
Hew-Butler ainda observa que é possível atender ou até mesmo ultrapassar as necessidades diárias de líquidos por meio de alimentos e bebidas ricos em umidade, sem precisar beber água pura. Para quem consome cafeína de forma regular, como café, as evidências mostram que esses tipos de bebidas possuem efeitos hidratantes semelhantes aos da água.
O Papel da Cafeína e dos Alimentos Salgados
Apesar de a cafeína ser frequentemente vista como um diurético, pesquisas mostram que seu consumo não resulta em desidratação significativa, principalmente se já for parte da dieta habitual. Kelly Hyndman, pesquisadora da Universidade do Alabama em Birmingham, explica que, ao retornar ao consumo de cafeína após um intervalo, pode haver um pequeno risco de desidratação momentânea. Contudo, para a maioria dos consumidores regulares, isso não representa um problema.
Outro mito que circula é sobre os alimentos salgados serem desidratantes. Segundo Hew-Butler, o corpo humano busca constantemente um equilíbrio entre sal e água, e hormônios como o antidiurético ajudam nesse processo. Quando se consome alimentos salgados, o corpo ativa mecanismos para reter água, evitando excessos de urina. Assim, o problema ocorre quando não se atende aos sinais de sede.
Alimentos como azeitonas e picles podem ser opções interessantes para quem busca alternativas salgadas hidratantes. Sopas, especialmente aquelas à base de caldo, também são recomendadas para complementar a ingestão de líquidos de forma saborosa.
Cuidado com o Álcool e a Desidratação
Por outro lado, o consumo de álcool deve ser feito com cautela, pois ele suprime a produção do hormônio antidiurético. Isso significa que, ao ingerir álcool, os rins não recebem o sinal para reter água, fazendo com que os líquidos consumidos sejam eliminados rapidamente do organismo.
A maioria das pessoas que se considera desidratada, na verdade, não está, segundo Hyndman. Embora existam exceções, a maioria das pessoas mantém níveis adequados de hidratação. Aqueles que devem prestar mais atenção à hidratação ativa incluem crianças, idosos e indivíduos com condições de saúde específicas.
Em resumo, a orientação é simples: beba líquidos e consuma alimentos ricos em umidade sempre que sentir sede. Não há necessidade de complicar o processo de hidratação. Como afirma Hew-Butler, “confie em seu corpo e siga seus instintos” na hora de se manter hidratado.
