Mostra do Filme Marginal reúne diversidade cultural e ambiental
De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, evento que propõe reflexões sobre as urgências ambientais por meio do cinema. Sob o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra apresenta 123 produções nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diversos pontos da cidade. O Rio Grande do Norte se destaca como um dos estados com maior participação, com dez filmes selecionados.
Produções potiguares valorizam territórios e saberes locais
A programação potiguar inclui documentários e animações que abordam temas ligados à preservação ambiental, cultura e território. “Som das Serras”, de Eduarda Araújo, produzido em Caicó, retrata os impactos nas serras de Sant’Ana e Formiga, no Seridó potiguar, e a preocupação das comunidades locais com a conservação destes espaços.
Outro filme, “A Maré”, dirigido por Jair Libanio em Natal, foca na degradação do manguezal do Rio Potengi, destacando os efeitos da poluição, dragagem e a redução de espécies essenciais para a pesca artesanal, além da relação das comunidades ribeirinhas com o rio.
O curta documental “Akaîutĩ”, filmado em João Câmara, apresenta a produção da castanha de caju pela comunidade Mendonça Potiguara, entrelaçando práticas tradicionais e resistência cultural. Em “Poty’karü”, produzido com apoio do edital Cine Natal 2022, a culinária indígena, quilombola e ribeirinha é celebrada, valorizando saberes e sabores da cultura potiguar.
O documentário “Nilsão”, realizado em Areia Branca, acompanha a trajetória de um homem que transforma sua realidade por meio do artesanato feito com materiais recicláveis, sob apoio da Lei Paulo Gustavo. Já “Parque das Serras”, de Natal, aborda a luta pela preservação ambiental e o direito à cidade, acompanhando mais de trinta anos de mobilização em torno do Horto Florestal Parque das Serras.
Entre as ficções indígenas, “Yby Katu”, realizada por jovens da aldeia Katu, entre Canguaretama e Goianinha, explora a retomada ancestral e a relação entre cultura agrícola indígena e vida urbana na Grande Natal. As animações “Bem de Perto” e “Fiando o Tempo” envolvem crianças e adolescentes em produções que refletem sobre território, moradia e tradições culturais.
O documentário “Histórias de um Rio”, dirigido por Arielly Barros em Mossoró, discute a poluição do rio local e os desafios para mobilização social e gestão ambiental, reuniu relatos de pescadores, lavadeiras e poetas ligados às águas do rio, também com apoio da Lei Paulo Gustavo.
Cinema como espaço de debate sobre emergência ambiental e desigualdades
A mostra destaca filmes que abordam a crise climática e suas consequências sociais, culturais e políticas, incluindo temas como aquecimento global, racismo ambiental, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual. O Rio de Janeiro lidera com 20 produções, seguido por São Paulo com 18 e Rio Grande do Norte com dez. Pernambuco, Bahia e Minas Gerais também participam com diversos títulos.
Além das produções regionais, a programação inclui parcerias entre estados, ampliando o diálogo entre diferentes territórios e experiências culturais.
Abertura e destaques da 6ª edição da mostra
A cerimônia de abertura será marcada pelo documentário “Retorno a Fukushima”, do diretor belga Thomas Licata, que retrata a cidade de Namie, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011. A exibição acontece no Cinema Nosso, na Lapa.
O idealizador Uilton Oliveira destaca a presença significativa de filmes indígenas, principalmente dirigidos por mulheres, como “A Floresta das Mulheres-Peixe”, do Amazonas, e “Samba Infinito”, curta do carioca Leonardo Martinelli, exibido em Cannes.
Dentre os destaques também estão “Proteção”, de Alberto Sena, de São Gonçalo, e “Onde Estamos Seguros”, longa de terror negro de Thais Scabio e Gilberto Caetano, de São Paulo, igualmente exibido em Cannes.
Outros títulos vêm ganhando espaço nos festivais, como “Capim Navalha”, documentário sobre personagens trans na Chapada dos Veadeiros, dirigido por Michel Queiroz; “Quanto Vale uma Década”, que aborda os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido por Clementino Junior; e “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique.
Mostra fortalece o cinema independente e diversidade cultural
Desde sua criação em 2017, a Mostra do Filme Marginal cresce em inscrições e relevância. Nesta edição, foram 356 produções inscritas, contra 36 na estreia. A curadoria é composta por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
O evento visa ampliar a circulação do audiovisual independente e dar visibilidade a narrativas e grupos sociais pouco representados no circuito comercial. Leila Xavier ressalta o cinema como ferramenta para evidenciar populações na linha de frente dos impactos ambientais.
A Mostra é realizada pela Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e da RioFilme.
