Crescimento do Mercado de Trabalho Formal
O Brasil alcançou um marco impressionante no setor de empregos formais, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo IBGE. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado registrou um crescimento de 2,6% no trimestre que se encerrou em novembro, resultando na criação de cerca de 1 milhão de novos postos de trabalho. Com isso, o total de empregados formais subiu a um inédito patamar de 39,4 milhões, excluindo os trabalhadores domésticos.
Além do setor privado, o setor público também se destacou, atingindo 13,1 milhões de ocupados, o que representa um crescimento de 1,9% (aproximadamente 250 mil pessoas) no mesmo trimestre, e 3,8% (mais 484 mil indivíduos) durante o ano. A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, observou que, apesar de a variação trimestral não ter sido estatisticamente significativa, a tendência de crescimento sustentado é visível.
“Embora a variação trimestral não seja expressiva, estamos vendo um aumento contínuo nos empregos formais. Isso demonstra um movimento consistente que se solidificou ao longo do ano e que pode continuar nos próximos períodos”, destacou Beringuy em uma coletiva virtual com a imprensa.
Trabalhadores Informais e Por Conta Própria
Por outro lado, o número de trabalhadores informais no setor privado manteve-se estável no último trimestre, totalizando 13,6 milhões. Contudo, em comparação com o ano anterior, houve uma queda de 3,4%, que corresponde a aproximadamente 486 mil pessoas a menos. Os trabalhadores por conta própria também alcançaram um número recorde, atingindo 26 milhões, com um crescimento de 2,9% comparado ao ano anterior, o que representa a inclusão de mais 734 mil pessoas nesse grupo.
“O aumento no número de trabalhadores por conta própria reflete um cenário sem precedentes na nossa pesquisa. Apesar da estabilidade neste trimestre, a expansão contínua é fundamental para atingirmos essa marca expressiva”, explicou Beringuy.
Taxa de Informalidade e Desemprego
O crescimento significativo dos empregos formais contribuiu para a redução da taxa de informalidade entre a população ocupada, que agora se encontra em 37,7%, englobando 38,8 milhões de trabalhadores. Este índice representa uma queda em relação aos 38% (38,9 milhões) do trimestre anterior e aos 38,8% (39,5 milhões) do mesmo período do ano passado.
Adriana Beringuy destacou que, enquanto a população ocupada aumentou, a proporção de trabalhadores informais não só estagnou como também teve uma pequena retração. “O setor informal parece ter perdido força, o que é um sinal positivo para a formalização do mercado de trabalho”, acrescentou.
Entre os 601 mil novos ocupados do último trimestre, uma parte significativa foi absorvida pelo setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que registrou um aumento de 2,6%, ou seja, 492 mil pessoas. Esses empregos, mesmo que temporários, não são classificados como informais, dado que possuem garantias legais.
Rendimentos em Alta
O fechamento do trimestre em novembro também trouxe boas notícias em relação aos rendimentos médios: o rendimento médio real habitual da população ocupada atingiu R$ 3.574, marcando um aumento de 1,8% no trimestre e de 4,5% em comparação com o mesmo período do ano passado, já considerando a inflação.
Este aumento é impulsionado, em grande parte, pelo crescimento de 5,4% no rendimento médio dos trabalhadores dos setores de Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas. Comparando anualmente, diversas áreas, como Agricultura e Pecuária (7,3%), Construção (6,7%) e Serviços Domésticos (5,5%), mostraram ganhos significativos.
Devido ao desempenho positivo tanto em relação aos rendimentos quanto ao número de trabalhadores, a massa de rendimento real habitual também alcançou um novo recorde, totalizando R$ 363,7 bilhões, com aumentos de 2,5% (aproximadamente R$ 9 bilhões) no último trimestre e de 5,8% (R$ 19,9 bilhões) no acumulado do ano.
Metodologia da Pesquisa
O IBGE explica que a Pnad Contínua é a pesquisa mais abrangente sobre a força de trabalho brasileira, cobrindo 211 mil domicílios em 3.500 municípios, com coletas trimestrais. “Cerca de dois mil entrevistadores estão envolvidos na coleta de dados, distribuídos entre mais de 500 agências do IBGE em todo o país”, finalizou o instituto.
