Educação em Tempo Integral: Um Caminho Necessário
O desempenho educacional do Rio Grande do Norte é preocupante, com apenas 48% das crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano do Ensino Fundamental, conforme o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) de 2025. Esse dado reflete a urgência de ações que revertam essa triste realidade, colocando o estado na última posição entre todas as unidades federativas do Brasil. Para enfrentar esse desafio, especialistas como Claudia Costin defendem a adoção de soluções como o ensino em tempo integral e o fortalecimento da primeira infância como pilares estratégicos para melhorar os índices de alfabetização.
Durante a palestra “Transformações Econômicas através da Educação – Cases do Cenário Global”, realizada na 45ª edição do Motores do Desenvolvimento, Claudia, que preside o Instituto Salto, ressaltou que apesar das melhorias nos índices de alfabetização, que saltaram de 39% em 2024 para 48% em 2025, os obstáculos ainda são muitos. “Os desafios são enormes, mas há tendências no mundo que podem inspirar mudanças positivas no estado”, afirmou.
Tendências Globais e Boas Práticas para Inspirar o RN
Claudia apresento as principais tendências na educação global, enfatizando a resolução colaborativa de problemas, a aprendizagem baseada em projetos, e o uso de educação mão na massa. Além disso, destacou a importância da cultura digital e da inteligência artificial (IA) como ferramentas essenciais para fomentar o aprendizado. Essas abordagens não apenas engajam os alunos, mas também preparam os jovens para um futuro cada vez mais digital.
Entre as boas práticas brasileiras, Costin citou o regime de colaboração do Ceará, que integra ações entre estado e municípios, além do modelo de ensino em tempo integral em Pernambuco. “Essas iniciativas demonstram que parcerias estratégicas podem trazer resultados significativos”, observou. No Ceará, a colaboração na educação infantil e alfabetização, inclusive com a repartição de recursos via lei do ICMS, e em Pernambuco, a experiência de escolas em tempo integral consolidadas, servem como exemplos a serem seguidos.
O Papel da Tecnologia e da Formação Docente
Costin também mencionou o Piauí, que implementou o ensino integral nas escolas de Ensino Médio, e o Espírito Santo, cujas práticas educacionais avançam a passos largos. “A educação em tempo integral é uma realidade que melhora a qualidade do ensino. Não podemos nos contentar com menos”, afirmou. Ela citou outros países, como o Chile, que investem na formação de professores em um diálogo constante entre teoria e prática. Para ela, é crucial que os docentes sejam alocados em uma única escola e que a formação docente inclua o desenvolvimento de competências digitais.
“Conectar as escolas com internet de alta velocidade é fundamental para o apoio aos educadores e aos alunos”, destacou a especialista. Economista e professora com reconhecimento internacional, Claudia já atuou como diretora global de Educação do Banco Mundial. Durante sua palestra, reitera a importância de políticas públicas que priorizem a equidade, atendendo às necessidades dos alunos mais vulneráveis.
Equidade e Desafios na Educação
“A escola deve oferecer mais suporte a quem tem menos. Não é justo responsabilizar a criança que vem de uma área vulnerável”, enfatizou Costin, ressaltando que a aprendizagem depende fortemente do apoio familiar e escolar. “Estamos formando professores para ensinar aqueles que já possuem uma base sólida, mas não para alcançar todos os alunos”, provocou.
Além disso, Claudia abordou o impacto da IA no mercado de trabalho, ressaltando a necessidade de uma formação básica de qualidade. “A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho rapidamente. Se não prepararmos nossos jovens para essa nova realidade, poderemos enfrentar sérios problemas de desemprego”, avaliou.
A Necessidade de Mudanças Urgentes
Costin aponta que as ações para melhorar os índices de alfabetização precisam ser imediatas, especialmente em estados como o Rio Grande do Norte, onde a situação atual é considerada “inaceitável”. Ela alerta que a autocrítica não deve se tornar uma narrativa que paralise a solução dos problemas. “Devemos aprender com outros estados e suas reinvenções. A educação é um tema que exige debate e inovação, e não podemos repetir os erros do passado, como o fechamento prolongado das escolas durante a pandemia”, destacou.
A transformação na educação é não apenas uma necessidade, mas também uma alavanca para o crescimento econômico do Rio Grande do Norte, segundo Costin. “Precisamos de aulas mais interativas que preparem nossos alunos para pensar criticamente”, concluiu. Para Claudia, a educação integral é a resposta para os desafios de formação que o estado enfrenta.
