Transformação Através da Educação
“Ou eu aceitava esse lixo como objeto de aprendizado ou ficava lamentando a falta de material”, reflete Débora Garofalo, professora de português que, em 2015, decidiu introduzir a robótica no currículo de seus alunos em uma escola municipal de São Paulo utilizando sucata. Essa abordagem inovadora a levou a ser reconhecida, pouco mais de uma década depois, como a educadora mais influente do mundo segundo a Varkey Foundation, entidade que instituiu o Global Teacher Prize, muitas vezes referido como o Nobel da Educação.
O Prêmio Faz Diferença 2025 destacou Débora na categoria Educação, ressaltando seu impacto na rede pública brasileira. “Receber o Global Teacher Prize demonstra que os educadores das escolas públicas brasileiras possuem a habilidade e a criatividade que se equiparam aos melhores do mundo. Meu maior desejo é que meu trabalho com robótica e inovação se torne uma política pública no Brasil”, compartilha a professora de 46 anos.
Um Projeto que Ganha Escala
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O sucesso inicial de Débora em sua primeira escola não apenas abriu portas para outras instituições, mas também possibilitou a expansão de sua ideia para uma escala maior. Atualmente, seu projeto alcança 5,4 mil escolas da rede estadual em São Paulo, beneficiando 3,7 milhões de estudantes. Além disso, Garofalo foi fundamental na criação dos Ginásios Internacionais Tecnológicos (GETs) na rede municipal de ensino do Rio de Janeiro. Hoje, ela desempenha um papel como consultora e formadora de outros educadores, multiplicando seu impacto na educação.
Em suas reflexões, a professora destaca as dificuldades da profissão: “Ser professor não é uma escolha fácil, mas é uma decisão repleta de propósito. É um caminho transformador para quem deseja causar um impacto real na vida das pessoas. Ensinar é como plantar diariamente, sem esperar resultados imediatos. No entanto, quando esses resultados aparecem, eles não apenas mudam a vida dos alunos, mas também a de quem ensina”.
Histórias que Contam
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Débora, que cresceu como aluna de uma escola pública, revela que sua mãe, com apenas o ensino médio, criou sozinha três filhas, sempre valorizando a educação. Para custear sua formação superior, ela trabalhou em uma indústria, onde teve que selecionar jovens para o chão de fábrica, percebendo que muitos não tinham conhecimento básico em tecnologia. Em 2013, ao ser aprovada em seu primeiro concurso como professora, deu início ao projeto que mudaria sua trajetória. Dois anos depois, criou uma proposta revolucionária para a educação:
“Quando você entra em uma sala de aula, percebe que seu papel vai além de transmitir conteúdos. Você está lidando com histórias e realidades de estudantes que frequentemente enfrentam desafios muito maiores do que aqueles impostos pela escola. A educação, no entanto, segue sendo uma das poucas ferramentas capazes de transformar essas trajetórias”.
