O Assassino Silencioso
No Brasil, um dos maiores responsáveis por mortes não é uma pessoa, mas sim uma condição de saúde que age de maneira sorrateira, causando em média 235 mortes por dia, ou quase uma a cada seis minutos. Em 2025, foram registradas 85.857 mortes atribuídas ao acidente vascular cerebral (AVC), segundo dados do Portal da Transparência do Centro de Registro Civil. Essa estatística alarmante revela que o AVC, frequentemente subestimado, supera até mesmo os índices de homicídios no país. O problema é que muitos ainda desconhecem suas formas de atuação e, pior ainda, a maioria das unidades de saúde não possui os recursos necessários para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz.
A neurologista Maramélia Miranda Alves, presidente da Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC), destaca que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e no mundo, com a mortalidade do AVC superando a do infarto. “É triste constatar que, se as pessoas controlassem os fatores de risco, de 50% a 80% dos casos poderiam ser evitados”, afirma. Os fatores de risco incluem hipertensão, obesidade e tabagismo, que agem como cúmplices desse criminoso silencioso.
Sobreviver ao AVC pode não ser o fim do sofrimento. As sequelas muitas vezes afetam a mobilidade, a linguagem e a memória, forçando metade dos pacientes a depender de cuidadores para as atividades diárias. Além disso, até 70% dos sobreviventes podem ser afastados do mercado de trabalho devido às limitações que enfrentam. Por outro lado, há esperança: a designer Giuliana Cavinato, que enfrentou um AVC aos 30 anos, fundou o Instituto Avencer para oferecer métodos de reabilitação a outros afetados pela condição.
O que podemos fazer para evitar um AVC? Nesta reportagem, vamos explorar tópicos fundamentais, incluindo:
- O que é o AVC e quais seus tipos;
- Como identificar sinais de um AVC;
- A importância da emergência em casos de AVC;
- Os hábitos e doenças que contribuem para o AVC;
- O aumento de casos entre jovens;
- Tratamentos disponíveis;
- Desenvolvimentos em medicamentos que diminuem o risco de novos acidentes;
- O papel da reabilitação e os medicamentos utilizados no tratamento;
- Nove dicas de ouro para prevenir o AVC.
O que é o AVC e quais os tipos
De forma simples, o acidente vascular cerebral ocorre quando o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido ou alterado, resultando em danos. Existem dois tipos principais: o AVC isquêmico, causado por coágulos nas artérias, e o AVC hemorrágico, que ocorre quando um vaso sanguíneo se rompe. O primeiro é o mais comum, representando cerca de 70% dos casos diagnosticados. Identificar corretamente o tipo de AVC é crucial para um tratamento eficaz.
Como identificar um AVC
Os sintomas do AVC muitas vezes surgem de maneira súbita e incluem dores de cabeça intensas, fraqueza em um lado do corpo, dificuldades na fala e perda de visão. Ao contrário do infarto, os sinais do AVC são semelhantes em homens e mulheres, embora as mulheres possam apresentar sintomas menos comuns, como tontura. Reconhecer esses sinais rapidamente pode ser a chave para um tratamento eficaz.
A importância de buscar ajuda imediata
Após detectar os sinais de um AVC, é essencial buscar atendimento médico imediatamente. A neurologista Sérgio Montenegro alerta que muitas pessoas hesitam em procurar ajuda, esperando que os sintomas melhorem sozinhos. No entanto, a rapidez no atendimento é vital, pois a tomografia computadorizada é necessária para determinar o tipo de AVC e iniciar o tratamento adequado. A maioria das unidades básicas de saúde não tem os recursos necessários para esse diagnóstico.
Fatores de risco para o AVC
O AVC é frequentemente o resultado de condições de saúde como hipertensão descontrolada, arritmias e diabetes. O cardiologista Carlos Alberto Machado enfatiza que muitas pessoas não sabem que essas condições são crônicas e precisam ser tratadas continuamente. A prevenção começa com a conscientização e o acompanhamento médico adequado.
AVC em jovens: um alerta crescente
Embora o AVC seja mais comum em idosos, um número alarmante de jovens também é afetado. Dados da Organização Mundial do AVC indicam que quase 2 milhões de indivíduos entre 18 e 49 anos sofrem AVC anualmente. O aumento de casos entre essa faixa etária deve ser um alerta para a necessidade de prevenção desde cedo.
Tratamentos e novas descobertas
Recentemente, novas diretrizes de tratamento para o AVC isquêmico foram lançadas nos Estados Unidos, incluindo recomendações para o uso de trombectomia em um período maior após o início dos sintomas. Essas inovações visam aumentar a agilidade no atendimento e melhorar as chances de recuperação.
Reabilitação: um passo crucial
A reabilitação é essencial após um AVC. Profissionais de saúde trabalham com os pacientes para ajudá-los a recuperar não apenas suas habilidades motoras, mas também sua qualidade de vida. O apoio da família e amigos é fundamental nesse processo. Cada passo em direção à recuperação é uma vitória.
Prevenção: Dicas úteis
Para evitar se tornar uma vítima do AVC, siga essas orientações: não fume, mantenha uma dieta saudável, pratique exercícios regularmente, controle a pressão arterial e trate diabetes. A prevenção é a melhor forma de combater esse assassino silencioso.
