Elevação nos Preços da Gasolina no RN
Nos últimos dias, os consumidores do Rio Grande do Norte enfrentaram um aumento significativo no preço da gasolina comum. Em diversos postos da Região Metropolitana de Natal, o litro do combustível passou a ser comercializado por aproximadamente R$ 6,59, o que representa uma alta de cerca de 30 centavos. Este aumento é fruto do reajuste do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis e de sucessivos aumentos realizados pela refinaria Clara Camarão, situada em Guamaré, que é operada pela Brava Energia.
Apesar de um recente anúncio da Petrobras de uma redução de 14 centavos no preço da gasolina para as distribuidoras, a expectativa é que esse efeito não chegue aos consumidores do Rio Grande do Norte. Isso se deve ao fato de que a refinaria Clara Camarão possui um modelo de operação privatizado, o que a torna menos suscetível a essas flutuações.
Maxwell Flor, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos-RN), comentou que a tributação é um fator determinante no preço final pago pelos consumidores. Desde 2023, a gasolina e o diesel deixaram de ser tributados por uma alíquota percentual, passando a ser cobrados por um valor fixo por litro. No início deste ano, o ICMS da gasolina aumentou de R$ 1,47 para R$ 1,57 por litro, um acréscimo de 10 centavos. Somando-se aos impostos federais, a carga tributária representa uma parcela substancial da composição do preço final.
“Se somarmos R$ 1,57 com R$ 0,70, estamos falando de algo em torno de R$ 2,20, quase R$ 2,30 apenas em impostos”, detalhou Maxwell Flor em entrevista à rádio CBN Natal, na última segunda-feira. Ele enfatizou que os postos de gasolina são o último elo dessa cadeia e que as margens de lucro na revenda são bastante estreitas, dado o peso dos tributos e os custos de aquisição.
Compreendendo a Formação dos Preços do Combustível
O presidente do Sindipostos-RN também esclareceu como o preço da gasolina é determinado até chegar ao consumidor final. A gasolina tipo A é produzida nas refinarias e é vendida às distribuidoras, que então adicionam etanol para criar a gasolina tipo C, que é a versão comercializada nos postos. “Atualmente, a distribuidora precisa adquirir também o etanol, que compõe 30% de um litro de gasolina”, explicou, ressaltando que essa mistura, que antes era de 27%, foi elevada para 30%, o que também afeta o preço final do produto.
Sobre a disparidade de preços entre postos, Maxwell Flor ressaltou que o setor opera em um regime de livre concorrência, sem tabelamento. O preço é determinado tanto na refinaria quanto na distribuição e na revenda. Segundo ele, a semelhança nos valores praticados entre os postos resulta da concorrência direta, já que os revendedores monitoram os preços dos concorrentes para evitar a perda de clientes.
A privatização da refinaria Clara Camarão foi citada como um fator crucial para o cenário atual. Maxwell explicou que, após a mudança de controle, a unidade começou a importar gasolina e diesel, tornando-se mais vulnerável a oscilações do mercado internacional. “Este preço está atrelado ao comportamento do mercado internacional”, afirmou. Considerando que a Petrobras é responsável por cerca de 70% do abastecimento no Brasil, parte do suprimento no RN depende dessa refinaria privada.
Influências Externas e Oportunidades de Redução de Custos
Nesse contexto, o preço do petróleo e a cotação do dólar exercem uma influência direta nas oscilações de preço. Maxwell apresentou dados que indicam que o barril do petróleo tipo Brent teve uma alta superior a 8% no início do ano. “Atualmente, o que está segurando os preços no Brasil é o dólar”, disse, citando a recente queda da moeda norte-americana como um fator de estabilização.
Apesar dos esforços dos revendedores para encontrar alternativas que ajudem a reduzir custos, a logística apresenta limitações significativas. A possibilidade de compra de combustível em estados vizinhos, como Paraíba ou Pernambuco, é frequentemente dificultada por questões de infraestrutura e custo de transporte. “Os revendedores frequentemente conseguem preços melhores em locais como Pernambuco ou Paraíba, mas o custo do frete pode inviabilizar essa alternativa”, complementou Maxwell.
Ao finalizar a entrevista, Maxwell Flor orientou os consumidores a pesquisarem preços e a monitorarem o consumo de seus veículos. Ele ressaltou que a ideia de que os postos são os principais responsáveis pelos aumentos de preços não reflete a complexidade do setor. “Os postos são o último ponto da cadeia de distribuição”, afirmou, acrescentando que, na ausência da atual carga tributária, o preço da gasolina poderia ser consideravelmente mais baixo.
A Perspectiva dos Carros Elétricos no Setor
Em relação ao avanço dos veículos elétricos, Maxwell Flor avaliou que o setor de postos não enxerga a eletrificação como uma ameaça imediata, mas sim como uma adaptação gradual da oferta. “Costumamos dizer que não vendemos apenas combustível, mas sim energia. Portanto, se houver demanda para veículos elétricos, nossos postos estarão prontos para atender”, declarou.
Ele destacou que a instalação de pontos de recarga está em crescimento em várias localidades, embora essa expansão ainda ocorra de maneira seletiva. “Atualmente, não é viável para todos os postos terem um carregador”, afirmou. Além disso, Maxwell apontou desafios práticos no uso de veículos elétricos fora dos centros urbanos, sugerindo que eles atendem mais adequadamente a perfis específicos de consumidores. “Do ponto de vista econômico, o carro elétrico é destinado a um público específico”, concluiu, alertando para riscos operacionais que podem surgir durante viagens.
