História de Superação e Dedicação de Gisele
Em Santo Antônio, uma cidade tranquila do interior do Rio Grande do Norte, o futebol feminino ainda é uma atividade pouco reconhecida. Contudo, Gisele, uma jovem talentosa da região, transformou sua busca por um sonho em uma fonte de inspiração para muitas meninas. “Eu queria muito sair de lá para realizar meu sonho e o da minha família. Como mulher nordestina, vejo que sou uma inspiração para muitas meninas que querem jogar, mas não têm tanta condição de sair. Isso me dá força para continuar, porque sei que o futebol é complicado, ainda mais para quem mora no Nordeste”, desabafou a atleta.
Deixar para trás a convivência diária com sua mãe e seus cinco irmãos não foi uma tarefa fácil. O início da trajetória de Gisele no futebol se deu em um projeto social coordenado pelo treinador Wenderson Dantas, onde começou no futsal e, em seguida, migrou para o campo. Sua rotina era intensa, saindo de casa pela manhã e retornando apenas à noite. Com o tempo, aos 14 anos, ela decidiu morar com o treinador, que atuava também no conselho tutelar e abrigava jovens, especialmente meninas que sonhavam em jogar futebol.
“Saí de casa. Saí dos braços da minha mãe para ir atrás do que eu acreditava. Ele (Wenderson) me deu a oportunidade de jogar e sempre me apoiou. Foi difícil para ela, mas ele morava perto, então sempre que tinha tempo ia ficar com ela. Hoje eu o chamo de pai. Não é de sangue, mas é de consideração. No começo eu tinha vergonha, mas ele me acolheu, me aconselhou e foi o apoio que eu precisava naquele momento”, contou Gisele, demonstrando gratidão pelo papel fundamental que Wenderson teve em sua vida.
Gisele: De Promessa a Realidade no Futebol Feminino
Atualmente, aos 18 anos, Gisele é uma das jogadoras mais promissoras da seleção brasileira sub-20. Sua carreira teve um impulso significativo quando ela integrou o time profissional do Grêmio e participou da Copa do Mundo Sub-20, realizada na Colômbia. Para a jovem potiguar, essa experiência foi repleta de desafios, mas serviu como um divisor de águas.
A convivência com jogadoras mais experientes e as exigências do torneio a fizeram crescer tanto dentro quanto fora de campo. Ela reconhece que cada desafio é uma oportunidade de aprendizado e que sua trajetória pode incentivar outras meninas a seguirem seus sonhos. “Eu sempre digo que o caminho não é fácil, mas vale a pena. O futebol pode ser uma plataforma poderosa para transformação social, especialmente para jovens do Nordeste. Espero que a minha história ajude a abrir portas para outras meninas como eu”, comentou Gisele.
Seu exemplo é um lembrete de que perseverança e apoio são essenciais para alcançar os objetivos. Com uma carreira promissora pela frente e um coração cheio de gratidão, Gisele não só brilha nos gramados, mas também serve como um farol de esperança para muitas que sonham em seguir seus passos no universo do futebol feminino.
