Contratos da DISMED com Prefeituras Potiguares
A DISMED Serviços Médicos Ltda., que protagoniza a Operação Mederi, firmou acordos com pelo menos 14 municípios do Rio Grande do Norte, além daqueles já relacionados nas investigações da Polícia Federal. Esta revelação, fruto de uma investigação do Blog do Dina, destaca um padrão de contratações frequentes e valores altos que suscitam indícios de irregularidades em diversas localidades. Curiosamente, esses novos municípios não estão sob investigação na referida operação.
Até o momento, as prefeituras de Mossoró, Serra do Mel, Paraú, São Miguel e José da Penha ganharam destaque em reportagens e comunicados oficiais como alvos dos mandados de busca e apreensão. No entanto, a nova apuração sugere que a atuação da DISMED é mais ampla do que se imaginava, alcançando municípios menores com orçamentos limitados, mas com contratos significativos com a mesma fornecedora.
Mossoró e Outras Cidades em Foco
Dentre os contratos já mencionados, o caso de Mossoró destaca-se pela quantidade e agilidade dos acordos firmados. A prefeitura local estabeleceu quatro contratos com a DISMED, entre 2024 e 2026, totalizando R$ 6,3 milhões, com sucessivos termos aditivos. Os documentos indicam um possível direcionamento, conforme suspeitas levantadas pela Polícia Federal. Em José da Penha, foram identificados nove contratos ativos entre 2022 e 2025, todos relacionados à compra de medicamentos, totalizando mais de R$ 4,3 milhões. Esse padrão repetido em diversas contratações chamou a atenção dos investigadores.
A cidade de Areia Branca também se destaca no cenário, com seis contratos firmados com a DISMED entre 2016 e 2025, somando R$ 3,6 milhões. A recorrência e os preços elevados fortalecem o padrão de fornecimento em grande escala. Em todos esses contratos, o foco principal recai sobre a compra de medicamentos, inclusive psicotrópicos e insumos hospitalares para unidades básicas e hospitais municipais.
Novas Descobertas sobre os contratos
A nova apuração do Blog do Dina revelou que doze municípios firmaram contratos com a DISMED, que não haviam sido associadas anteriormente à Operação Mederi. A lista inclui Campo Grande, com quatro contratos entre 2022 e 2024, totalizando R$ 445,6 mil, incluindo uma contratação por dispensa de licitação, sem modalidade especificada. A concentração de três atas de registro de preços em 2024 levantou suspeitas de direcionamento.
Taboleiro Grande também figura na lista com dois contratos, um dos quais não apresentou valor especificado no Diário Oficial. O total conhecido, de R$ 345 mil, refere-se a uma ARP programada para 2025. Em Felipe Guerra, foram encontrados três contratos entre 2021 e 2024, totalizando R$ 134 mil, todos para fornecimento de medicamentos e material hospitalar, sem indícios de irregularidades. A cidade de Alexandria gerou preocupação devido à duplicidade de CNPJ da empresa em documentos oficiais e por um contrato de R$ 172 mil registrado apenas parcialmente.
Em São Fernando, contratos foram firmados por dispensa de licitação para compra de material descartável, levantando suspeitas sobre a fragmentação de despesas. Já Apodi contratou a DISMED unicamente por dispensa de licitação em 2022 e 2023, totalizando R$ 221 mil em aquisições emergenciais em um curto período. Governador Dix-Sept Rosado destacou-se pelo contrato de maior valor — R$ 718 mil — oriundo de adesão a uma Ata de Registro de Preços de outro município, prática que pode reduzir a concorrência.
Contratos Desconexos e Questões de Regularidade
O município de Upanema possui cinco contratos totalizando R$ 668 mil entre 2020 e 2024, sem indícios claros de irregularidades. Em Açu, dois contratos somam R$ 151 mil, mas os extratos do Diário Oficial apresentam uma discordância no objeto contratado. Carnaubais, com um único contrato de R$ 16 mil, ainda não teve irregularidades identificadas. Já Itajá celebrou quatro contratos entre 2023 e 2025, totalizando R$ 251 mil, embora os documentos originais não tenham sido acessados para verificar detalhes.
A análise dos contratos demonstra que a DISMED foi majoritariamente contratada através de Pregão Eletrônico, apoiado por Atas de Registro de Preços e, em vários casos, dispensa de licitação. Esse padrão, comum no setor de saúde, começa a levantar suspeitas conforme se repete em diversos municípios, com objetos semelhantes e valores compatíveis. No caso de Alexandria, por exemplo, a presença de dois CNPJs diferentes pode indicar irregularidade fiscal. Já em Governador Dix-Sept Rosado, o uso de uma ARP de outro município pode ter possibilitado a contratação sem nova licitação, limitando a competitividade.
