Oposição em Ação
Na manhã desta quarta-feira (28), os vereadores da oposição na Câmara Municipal de Mossoró realizaram uma coletiva de imprensa para abordar a operação da Polícia Federal deflagrada na terça-feira (27). Juntamente com a Controladoria-Geral da União (CGU), a operação investiga o desvio de recursos públicos no Rio Grande do Norte, abrangendo mandados cumpridos em sete municípios, entre eles Mossoró. Na cidade, uma das buscas ocorreu na residência do prefeito Allyson Bezerra.
Participaram da coletiva os vereadores Cabo Deyvison (MDB), que lidera a oposição, Jailson Nogueira (PL), Wiginis do Gás (União Brasil), Marleide Cunha (PT) e Plúvia Oliveira (PT). Durante o encontro, os parlamentares ressaltaram a necessidade de criar uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para acompanhar as investigações e apurar as responsabilidades envolvidas.
Marleide Cunha, do PT, enfatizou o papel da Câmara em fiscalizar o Poder Público. “A Câmara de Mossoró não pode ignorar uma operação tão grave da Polícia Federal que envolve indícios de corrupção envolvendo o prefeito. A oposição irá solicitar a instalação da CEI e queremos que o presidente da Câmara convoque uma sessão extraordinária para que possamos ouvir secretários, o vice-prefeito e o próprio prefeito sobre as acusações”, disse.
Por sua vez, o vereador Jailson Nogueira destacou a seriedade da investigação. “A Polícia Federal e a CGU não estão aqui para brincar. Elas estão cumprindo mandados de busca e apreensão contra pessoas que estão sendo investigadas. Se não confiarmos nessas instituições, em quem mais poderemos confiar?”, questionou.
Debate Além da Política
A vereadora Plúvia Oliveira, também do PT, acrescentou que as questões em debate vão além da política partidária. “O que está em jogo são indícios de corrupção. Não podemos deixar que esse debate seja mascarado por alegações de perseguição política. Esta CEI deve ouvir secretários e o vice-prefeito, que também são mencionados nos autos do processo”, afirmou.
Para que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) seja formada, é necessário o apoio de pelo menos um terço dos vereadores, que na Câmara de Mossoró equivale a sete assinaturas. Dos cinco vereadores presentes na coletiva, já contam com o apoio do vereador Mazinho do Saci (PL), que integra a bancada de oposição.
“Desde ontem, a oposição se reuniu e debateu a necessidade urgente dessa sessão extraordinária. Vamos solicitar ao presidente que a convoque, apresentando as razões para essa convocação, e esperamos sensibilizar os demais vereadores a apoiar a iniciativa”, concluiu Marleide.
Após a coletiva, os vereadores protocolaram um pedido formal para que uma sessão extraordinária seja realizada a fim de ouvir membros da administração municipal sobre o conteúdo da investigação federal. “Acredito que, neste universo de 21 vereadores, há pelo menos mais um que tenha coragem de dar uma resposta concreta à população de Mossoró”, finalizou Plúvia Oliveira.
Posicionamento da Prefeitura
A defesa do prefeito Allyson Bezerra, por meio de uma nota oficial, comentou sobre a operação, afirmando que a ação da Polícia Federal se refere a um cumprimento de mandado de busca e apreensão, mas enfatizou que a investigação está centrada em contratos entre municípios e empresas de fornecimento de medicamentos, abrangendo diversas administrações anteriores. Assim, a defesa negou que os fatos estejam diretamente relacionados à atuação pessoal do prefeito de Mossoró.
Além disso, a defesa destacou que até o presente momento não foram encontrados elementos que vinculem diretamente o prefeito aos atos investigados, ressaltando que a ordem judicial foi emitida com base em diálogos relacionados a terceiros. Na mesma manhã da operação, Allyson Bezerra compartilhou um vídeo em suas redes sociais.
