O Caso em Detalhes
No último fim de semana, um baile de formatura do curso de Medicina da Facene, em Mossoró, gerou grande polêmica após a divulgação de imagens de um adolescente de 13 anos vestindo um uniforme associado ao regime nazista. Diante da gravidade das circunstâncias, o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP/RN) e a Polícia Civil confirmaram a abertura de investigações. O episódio, que ocorreu durante o evento realizado na madrugada do dia 11 de novembro, chamou a atenção da mídia nacional e provocou discussões sobre intolerância e responsabilidade social.
De acordo com informações do MP/RN, a 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró instaurou um procedimento extrajudicial para a coleta de informações e a identificação dos envolvidos. “Estamos analisando as circunstâncias do ocorrido e a eventual responsabilização do adolescente e seus responsáveis legais”, afirmou um representante do Ministério Público. O órgão ainda ressaltou que a apuração está sob segredo de justiça devido à idade do envolvido e alertou sobre a proibição de divulgação de imagens ou qualquer identificação do menor, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Procedimentos da Polícia Civil
Simultaneamente, a Polícia Civil também iniciou um processo investigativo por meio da Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA) de Mossoró. A corporação está diligentemente apurando todas as circunstâncias do caso. “Estamos comprometidos em esclarecer a situação e tomar as medidas necessárias dentro da legislação vigente”, afirmou um porta-voz da polícia.
Desculpas do Adolescente
Diante da controvérsia gerada, o adolescente se manifestou publicamente através de um vídeo nas redes sociais. Ele pediu desculpas e afirmou que não teve a intenção de fazer apologia ao nazismo. “Eu não sabia que repercussão isso poderia tomar. Peço desculpas a quem se sentiu ofendido”, declarou. Na gravação, ele explicou que comprou a roupa em uma feira em Fortaleza e costumava se fantasiar sem pensar nas implicações de suas escolhas.
Histórico Familiar e Implicações
Novo material levantado pelo Blog do Barreto sugere que o adolescente possa ter um histórico familiar com comportamentos ligados ao extremismo. Foram encontrados registros de postagens de familiares que elogiam aspectos do nazismo. Um dos casos mais preocupantes envolve uma tia que fez comentários positivos sobre o uniforme exibido pelo menino. Além disso, a pesquisa indicou que familiares poderiam ter facilitado a troca de roupas durante o evento, permitindo que ele se vestisse de forma comum antes de trocar para a vestimenta polêmica apenas para fotos.
O adolescente ainda tinha em seu perfil do Instagram uma frase em alemão que se traduz como “Um povo, um império, um líder”, uma das principais propagandas do regime nazista. Após o rebuliço, ele apagou a conta.
Reações e Declarações da Facene
O baile de formatura, que não tinha caráter institucional, foi amplamente criticado. A presidente da comissão de formatura, Tâmira Thomas, repudiou qualquer ato de apologia ao nazismo, enfatizando que a turma não tinha conhecimento da situação. A Facene também se manifestou, lamentando o episódio e seu impacto na comunidade acadêmica. Por sua vez, a Master Produções e Eventos, responsável pela organização da festa, esclareceu que o adolescente estava acompanhado dos pais e que a troca de roupas foi uma decisão pontual.
Legislação e Consequências
O caso segue sob investigação, e a Lei nº 7.716/89, que tipifica a apologia ao nazismo como crime, pode ter implicações legais para os envolvidos. Essa legislação prevê penas que incluem reclusão e multa para quem divulgar símbolos ou propaganda associados ao regime nazista. O Conselho Tutelar da 34ª Zona de Mossoró reforçou seu compromisso com a defesa dos direitos de crianças e adolescentes e repudiou qualquer prática de discriminação ou intolerância.
A repercussão do ocorrido continua a provocar debates sobre a responsabilidade social e a tolerância em ambientes educativos e na sociedade em geral.
