Indignação e Protesto no Sepultamento
Neste domingo, dia 11, o sepultamento de Douglas Rebouças da Silva Cavalcante, de apenas 20 anos, ocorreu em Almino Afonso-RN, cercado de protestos por parte de amigos e familiares que clamavam por justiça. A indignação é em resposta às alegações feitas por policiais civis, que afirmam que Douglas teria tentado furar uma blitz e disparado contra eles. No entanto, seus entes queridos garantem que o jovem estava desarmado e foi atingido por um tiro nas costas, o que gerou um intenso clamor por esclarecimentos.
Testemunhos e Versões Conflitantes
Felipe, uma testemunha ocular do incidente, contradisse a versão policial, declarando que Douglas não disparou nenhum tiro. Segundo amigos e familiares, Douglas nunca havia se envolvido em atividades ilícitas e, na madrugada de sábado, estava retornando da cidade de Lucrécia para sua casa, no sítio Exu, ao lado de dois amigos em motocicletas.
Além disso, a família de Douglas denuncia uma situação ainda mais preocupante: os mesmos policiais que mataram o jovem e feriram um adolescente de 15 anos estão encarregados da investigação do caso. É relatado que esses policiais se dirigiram à casa de Felipe, a testemunha, tentando convencê-lo a prestar depoimento na delegacia no meio do dia de sábado.
Os Últimos Momentos de Douglas
Os amigos de Douglas relataram que, na noite anterior ao tragédia, os três haviam se reunido com um grupo em Lucrécia até a meia-noite. Ao decidirem voltar para casa, eles se depararam com uma blitz da Polícia Militar próximo à usina de reciclagem, onde foram reconhecidos e liberados para seguir viagem.
Cerca de três quilômetros depois, ao se aproximarem do contorno que dá acesso a Frutuoso Gomes e Almino Afonso, encontraram outra blitz, desta vez com policiais civis utilizando apenas lanternas, em um local de visibilidade reduzida. Felipe, que seguia à frente em sua moto, foi abordado pelos policiais, enquanto Douglas pilotava atrás, transportando um primo de 15 anos.
Ambos, assustados com a abordagem, desviaram o caminho, acreditando que poderiam ser assaltados, momento em que foram alvejados. Douglas foi atingido por um tiro nas costas e morreu pouco tempo depois, enquanto o adolescente foi baleado na mão e precisou de socorro médico.
Intervenções da Polícia e Apelo por Justiça
Logo após o ocorrido, policiais militares que estavam realizando a blitz próxima à usina chegaram ao local e prestaram socorro às vítimas. Os policiais civis, por sua vez, deixaram a cena. Em uma nota oficial, eles informaram que estavam em diligência para prender um suspeito de homicídio e alegaram que revidaram a tiros que teriam vindo da moto de Douglas. No entanto, Felipe, que estava presente, reafirma que os disparos foram feitos pela polícia quando Douglas e seu primo se aproximaram da blitz.
A família, em contato com a reportagem, expressou sua preocupação e apontou que tanto Douglas quanto seu primo não estavam armados e jamais se envolveram em atividades criminosas. Durante o sepultamento, o clamor por justiça foi evidente, com os familiares exigindo que os policiais envolvidos no caso sejam afastados e que uma investigação rigorosa seja conduzida por um delegado independente, alegando que a operação foi desastrosa e resultou na morte de um inocente. Eles pedem, ainda, que as justificativas apresentadas pelos policiais, de que reagiram a tiros que nunca ocorreram, sejam revistas e analisadas com seriedade.
