Concentração de Riqueza no Rio Grande do Norte
Os dados recém-divulgados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos Municípios, apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), expõem uma realidade antiga que permeia a economia do Rio Grande do Norte: a significativa concentração de riqueza em um número restrito de municípios. No ano de 2023, apenas quatro cidades — Natal, Mossoró, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante — foram responsáveis por impressionantes 50,8% de toda a riqueza gerada no estado, que atingiu a marca histórica de R$ 101,7 bilhões.
Esse dado não apenas confirma a centralização econômica, como também indica dinâmicas importantes dentro desse grupo privilegiado. Natal, por exemplo, foi a cidade que mais elevou sua participação no PIB do estado entre 2022 e 2023, agora concentrando 30,63% da riqueza potiguar, equivalente a R$ 31,162 bilhões. Esse crescimento representa um ganho de 1,32 ponto percentual, o maior avanço proporcional entre todos os municípios do Rio Grande do Norte durante o período analisado.
Esse desempenho reforçou ainda mais a importância da capital na economia estadual e ampliou a disparidade em relação aos outros centros urbanos. Em um contexto de crescimento proporcional, surgem também cidades como Lajes, Caiçara do Rio do Vento, Pedro Avelino e Macaíba, embora suas variações tenham sido mais modestas.
Desempenho e Perdas no PIB dos Municípios
Por outro lado, Parnamirim se destacou negativamente, liderando as perdas de participação no PIB estadual, com uma retração de 0,50 ponto percentual. Outras cidades também sentiram o impacto, como Guamaré, Serra do Mel, Macau, Areia Branca e Mossoró, sugerindo uma reorganização interna na dinâmica econômica do Rio Grande do Norte, especialmente entre aqueles que dependem fortemente de setores específicos.
A análise dos dados de 2023 também trouxe mudanças significativas no ranking dos municípios com os maiores PIBs. São Gonçalo do Amarante subiu para a quarta posição, superando Guamaré, enquanto Macaíba avançou para o sexto lugar, trocando posições com Açu. Macau, por sua vez, caiu do grupo dos dez maiores PIBs do estado.
Em conjunto, os cinco municípios mais ricos concentraram 53,3% de toda a produção econômica do estado, acentuando a alta concentração de riqueza.
Ranking de PIB e Desigualdades Regionais
No contexto nacional, Natal ocupa a 44ª posição entre as cidades com maiores PIBs do Brasil em 2023. No cenário regional do Nordeste, a capital potiguar aparece na sexta colocação, enquanto Parnamirim figura em 30º lugar. O levantamento ainda evidenciou desigualdades significativas, com dois municípios do Rio Grande do Norte figurando entre os menores PIBs do Nordeste: Viçosa, na quinta posição, e João Dias, em 12º lugar.
PIB Per Capita e Distúrbios Econômicos
A análise do PIB per capita acentua ainda mais as disparidades econômicas entre os municípios. Em 2023, cinco cidades potiguares superaram a impressionante marca de R$ 100 mil por habitante, liderando o ranking estadual: Guamaré (R$ 168.808,24), Caiçara do Rio do Vento (R$ 145.099,23), São Bento do Norte (R$ 119.507,48), Parazinho (R$ 109.346,87) e Bodó (R$ 104.148,52).
No entanto, na outra extremidade, Rafael Fernandes (R$ 11.389,04), Espírito Santo (R$ 11.928,61) e Januário Cicco (R$ 11.980,50) mostraram os menores valores do estado, evidenciando a existência de realidades econômicas profundamente distintas dentro do mesmo território. Esses dados ressaltam a complexidade e a necessidade de políticas públicas que abordem tais disparidades e promovam um desenvolvimento mais equilibrado em todo o estado.
