Inovação tecnológica com sementes de chia na UFRN
Uma nova tecnologia desenvolvida na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) apresenta uma alternativa sustentável para a produção de materiais usados em tecnologias de energia. A inovação se baseia no uso das sementes de chia como agente para a preparação de óxidos metálicos, materiais nanoestruturados e compósitos. Essa abordagem promove o desenvolvimento de materiais que podem ser aplicados em dispositivos para geração, conversão e armazenamento de energia.
Aplicações práticas e impacto na transição energética
Entre as aplicações destacam-se a fabricação de eletrodos para a transformação da água em hidrogênio verde, além do uso em supercapacitores, baterias, sensores e outros dispositivos eletroquímicos. A pesquisadora Jakeline Raiane Dora dos Santos ressalta que a utilização da chia é um diferencial importante da invenção, pois se trata de uma matéria-prima natural, renovável e biodegradável. Isso permite reduzir a dependência de reagentes químicos sintéticos, potencialmente tóxicos, e diminuir a geração de resíduos durante a síntese dos materiais.
O processo ainda simplifica etapas produtivas e reduz custos, ampliando o potencial para futuras aplicações industriais. Um dos impactos mais relevantes da tecnologia está no apoio à transição energética, pois os materiais produzidos por essa rota verde podem ser usados em equipamentos que realizam a eletrólise da água, separando-a em hidrogênio e oxigênio. Quando a eletricidade usada é renovável, o hidrogênio gerado é chamado de hidrogênio verde, um combustível que contribui para reduzir as emissões de gases associadas a processos energéticos e industriais.
Avanços para armazenamento e dispositivos eletroquímicos
Além da geração de hidrogênio, a tecnologia desenvolvida na UFRN apresenta potencial para o armazenamento de energia. Os materiais sintetizados podem ser aplicados em componentes de supercapacitores e baterias, essenciais para sistemas de armazenamento e conversão energética. Na prática, essa inovação pode beneficiar equipamentos eletrônicos, soluções de energia renovável e também sensores, revestimentos funcionais, catalisadores e filmes poliméricos.
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O desenvolvimento da tecnologia está em uma fase anterior ao lançamento comercial. A metodologia já foi demonstrada e validada experimentalmente em laboratório, caracterizando uma prova de conceito. Os próximos passos envolvem otimizar o processo e construir protótipos para avaliar o desempenho dos materiais em aplicações específicas.
Patente e continuidade das pesquisas na UFRN
Nomeada “Síntese verde de óxidos metálicos usando chia (Salvia hispanica L.) como precursor orgânico”, a invenção teve sua patente concedida em agosto, um marco importante para a transformação do conhecimento acadêmico em tecnologia aplicável. O processo de patenteamento protege a propriedade intelectual dos pesquisadores e fortalece a aproximação entre universidade e setor produtivo.
O professor Uilame Umbelino Gomes, um dos envolvidos, destaca que essa conquista reforça a contribuição da pesquisa acadêmica na busca por alternativas sustentáveis aos processos convencionais. Atualmente, o grupo segue focado no desenvolvimento de novos materiais para eletrocatálise, supercapacitores e produção de hidrogênio verde, buscando combinar desempenho, redução de impacto ambiental e custos menores.
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Fonte: decaruaru.com.br
Equipe colaborativa e próximos desafios
Além de Jakeline e Uilame, o desenvolvimento contou com a colaboração de Luciena dos Santos Ferreira, Thayse Ricardo da Silva e Daniel Araújo de Macedo. A equipe participou integralmente, desde o planejamento experimental até a elaboração do pedido de patente. A expectativa é avançar para a construção de protótipos e avaliar a viabilidade das aplicações tecnológicas e industriais da solução.
UFRN lidera patentes em inovação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste
Com 113 cartas-patentes concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte lidera o ranking nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O ecossistema de inovação da UFRN é gerido pela Agência de Inovação (AGIR), responsável pelo acompanhamento dos processos de patenteamento e registro de programas de computador.
A carta-patente garante exclusividade de uso, produção e comercialização da tecnologia. Para iniciar o pedido, o pesquisador notifica a invenção via Sigaa. A AGIR então auxilia na realização dos trâmites administrativos e acompanha o processo junto ao INPI, fortalecendo a transferência tecnológica e a aproximação com o setor produtivo.
