Queda significativa na inadimplência em Natal
O percentual de famílias com contas em atraso em Natal recuou para 22,7% em maio, alcançando o menor índice para esse mês desde 2015. Os dados, divulgados pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisados pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), indicam que, apesar da melhora, 83,2% dos lares ainda possuem algum tipo de dívida, com o cartão de crédito liderando como principal fonte de endividamento.
Comparado a maio do ano passado, quando a inadimplência estava em 38,9%, houve uma queda expressiva de 16,2 pontos percentuais. Em relação ao mês anterior, abril de 2026, a redução foi de 1,8 ponto percentual. Mesmo com esses avanços, 235.368 famílias em Natal ainda enfrentam algum tipo de débito, sendo que 32,5% apresentam comprometimento moderado ou elevado da renda. Em maio, 64.368 famílias possuíam contas atrasadas, a maioria com pendências de até 90 dias.
Impactos econômicos e comportamento financeiro
O Instituto Fecomércio RN avalia que essa redução nos índices aponta para uma melhor organização do orçamento familiar, permitindo o pagamento das despesas cotidianas e a quitação parcial das dívidas acumuladas. O economista e educador financeiro Helder Cavalcanti destaca que o cenário econômico de Natal, baseado em serviços, comércio, turismo, administração pública e mercado imobiliário, tem mantido um dinamismo que favorece a geração de renda e contribui para a queda da inadimplência.
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Gilberto Costa, presidente em exercício da Fecomércio RN, reforça que a melhora nos indicadores deve impulsionar a economia local ao ampliar o acesso ao crédito e estimular o consumo. “Quando mais pessoas recuperam sua capacidade de pagamento, ampliam-se as oportunidades de crédito e movimentação econômica, beneficiando empresas, trabalhadores e consumidores”, explica.
Endividamento ainda alto e desafios para o futuro
Helder Cavalcanti alerta que estar endividado não significa necessariamente estar inadimplente, pois muitas famílias conseguem manter os pagamentos em dia. Entretanto, quando a dívida compromete uma parte considerável da renda, o risco de atrasos aumenta. “A redução da inadimplência é positiva, mas o elevado percentual de famílias endividadas exige atenção constante. O grande desafio é transformar o crédito em ferramenta de desenvolvimento, e não em vulnerabilidade financeira”, afirma.
Um exemplo prático é a faxineira Edilene da Silva, que enfrentou dificuldades para manter as contas em dia devido ao acúmulo de parcelas no cartão de crédito. Ela relata: “Eu parcelei muitas coisas e acabei ficando em uma bola de neve. Parcelei a fatura, atrasei conta.” Para sair da inadimplência, renegociou os débitos, cortou gastos supérfluos e passou a controlar melhor o orçamento familiar.
Cartão de crédito como principal fonte de dívidas
De acordo com a CNC, o cartão de crédito está presente em 83,5% dos casos de endividamento, seguido pelos carnês, presentes em 17,2%. Helder Cavalcanti ressalta que a redução da inadimplência deve ser interpretada com cautela. “O problema não está no cartão em si, mas na forma como ele é utilizado. A economia comportamental mostra que as pessoas sentem menos ‘dor’ ao gastar usando crédito ao invés de dinheiro”, destaca o economista.
