Última Atuação de Armando Lúcio Ribeiro em Júri Popular
Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins, em Mossoró-RN, será palco de um Tribunal do Júri Popular que promete ser histórico. Este júri marca a despedida do promotor de Justiça Armando Lúcio Ribeiro, que atuará pela última vez em um júri após 36 anos dedicados ao Ministério Público do Rio Grande do Norte. O evento será o júri de número 1.403 em sua trajetória, um marco que reflete seu compromisso em proteger a sociedade.
Armando, que pediu aposentadoria cercado pelo apoio de familiares e amigos, destacou o desafio que representa a função de promotor: “Não é fácil, é uma missão árdua”, declarou. Sua experiência se estende além de Mossoró, tendo atuado em comarcas reconhecidas pela complexidade de suas questões, como Campo Grande-RN e Caraúbas-RN. Ao longo de sua carreira, ganhou respeito e admiração tanto por seus colegas no MPRN quanto por seus alunos na Faculdade de Direito da UERN, onde é um professor muito respeitado.
Um Caso Marcante em sua Carreira
Entre os muitos casos que marcaram sua atuação, Armando Lúcio Ribeiro relembra com destaque o assassinato do promotor Manoel Alves Pessoa Neto, ocorrido em 1997 em Pau dos Ferros-RN. Na época, o então juiz da comarca, Francisco Pereira de Lacerda, foi apontado como mandante do crime, que contou com a participação do pistoleiro Edmilson Pessoa Fontes. O crime chocou a região: Edmilson invadiu o fórum e assassinou não apenas o promotor, mas também um preso que realizava trabalhos de limpeza.
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Fonte: odiariodorio.com.br
Armando foi designado como líder da investigação, resultando na prisão e condenação do pistoleiro a 24 anos de reclusão. A investigação revelou a conexão do juiz e de um policial militar com a trama criminosa, completando um ciclo que levou à condenação de Lacerda a 35 anos e do PM a 31,6 anos de prisão. Apesar das dificuldades e da gravidade dos casos com os quais lidou, Armando Lúcio Ribeiro se despede sem jamais ter recebido ameaças.
O Último Júri
O júri que marcará a aposentadoria de Armando terá como réu João Pereira de Sousa, de 73 anos. Ele é acusado de assassinar sua nora, Edilene Nicácia Costa da Silveira, durante uma discussão familiar no Centro de Governador Dix Sept Rosado-RN, a cerca de 36 km de Mossoró. De acordo com a denúncia apresentada pelo promotor, a vítima foi morta com uma enxada.
A sessão será conduzida pelo juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros, e o defensor público Maciel da Silva Fonseca defenderá o réu. Os trabalhos estão agendados para iniciar às 9 horas no Salão do TJP do Fórum de Mossoró.
Continuidade na Educação
Ao declarar sua aposentadoria do Ministério Público, Armando Lúcio Ribeiro enfatizou que não se afastará do ambiente acadêmico. Ele mantém a intenção de continuar compartilhando seus conhecimentos, adquiridos em quase quatro décadas de carreira na Faculdade de Direito da UERN. Para ele, a sala de aula é uma fonte contínua de aprendizado, e sua trajetória como educador é tão valiosa quanto sua atuação como promotor. “Aprendi mais do que ensinei”, ressaltou, uma afirmação corroborada por muitos de seus ex-alunos.
