Um Encontro de Saberes e Oportunidades para a Economia Criativa
A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult Aju), deu início, nesta terça-feira, 7, ao Fórum Brasil Criativo e Seminários da Rede de Cultura e Economia Criativa – Edição Nordeste, realizado na Universidade Tiradentes (Unit). Este evento, que contou com a presença de agentes culturais, pesquisadores e empreendedores, visa debater as perspectivas para o setor cultural em todo o país. A programação do dia incluiu apresentações artísticas, uma palestra magna e mesas temáticas que promoveram trocas de experiências e reflexões sobre os desafios e oportunidades na área.
O fórum, que se estende até quarta-feira, 8 de abril, das 8h às 19h, é uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) e do Sebrae, organizado pelo Instituto BR em colaboração com a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e as secretarias estaduais e municipais de Cultura de Sergipe e Aracaju. O principal objetivo é promover um diagnóstico participativo sobre os eixos estratégicos da Economia Criativa na Região Nordeste, buscando identificar desafios e potencialidades que possam fortalecer os ecossistemas culturais e criativos da região.
No discurso de abertura, o secretário municipal da Cultura de Aracaju, Paulo Corrêa, saudou as autoridades presentes, incluindo a secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, e ressaltou a importância da conexão entre o Ministério da Cultura, estados e municípios. “A gente tem sentido a presença do Ministério da Cultura mais próxima dos estados e dos municípios. Fico imensamente feliz que esse Fórum de Economia Criativa chegue agora a Aracaju”, afirmou, enfatizando a relevância do Fórum Nacional de Secretários e Gestores de Cultura das Capitais.
A secretária Cláudia Sousa Leitão, que representou o Ministério da Cultura, celebrou a realização do encontro no Nordeste e defendeu a necessidade de uma política nacional voltada para esse setor. “Estamos falando de uma economia que envolve produtos, serviços e bens com uma dimensão simbólica muito significativa. É fundamental que discutamos como assegurar a dignidade dos movimentos populares tão presentes em nossa região”, pontuou. Durante sua fala, ela destacou cinco desafios essenciais que serão abordados em uma carta com demandas do Nordeste, a qual será elaborada ao fim do seminário, e criticou a informalidade e a invisibilidade enfrentadas pelos trabalhadores da economia criativa.
Cláudia Leitão também enfatizou a necessidade de se coletar dados concretos para a gestão pública, anunciando a criação de um observatório da economia criativa. Ela comparou o potencial do setor no Brasil ao do Peru, onde cerca de 10% do PIB é gerado por meio da gastronomia e artesanato, enquanto o Brasil atinge pouco mais de 3%. Além disso, a secretária levantou uma crítica contundente à dependência do país de insumos importados para festividades populares, como o Carnaval, mencionando as sombrinhas de frevo feitas na China: “Se a gente suspender a importação de tudo que envolve os produtos do Carnaval brasileiro, acabamos com a festa. É preciso valorizar o que temos e produzir o que usamos”, declarou. Ao final de sua apresentação, ela conclamou o público a consumir produtos nacionais, valorizando a cultura, cinema, moda, artesanato e a culinária como um ato de soberania e autoestima.
Após a apresentação do grupo folclórico “A Chegança Santa Cruz de Itabaiana”, a palestra de abertura foi conduzida pela Profa. Dra. Mariana Galvão Nascimento, consultora do Sebrae Sergipe, mediada pela secretária Cláudia Leitão, com foco no potencial estratégico dos ecossistemas culturais e criativos. A tarde foi marcada pelas mesas temáticas, onde os participantes puderam contribuir com diagnósticos sobre a economia criativa na região.
O Fórum Brasil Criativo e os Seminários da Rede de Cultura e Economia Criativa – Edição Nordeste continuam nesta quarta-feira, reunindo gestores, pesquisadores, artistas e empreendedores, com uma programação intensa até as 19h. O objetivo é aprofundar as discussões e consolidar uma carta de propostas que fortaleça a economia criativa em todo o Brasil.
