Desafios nas eleições do Rio Grande do Norte
Apesar de não ocupar um mandato eletivo e permanecer filiado ao Solidariedade, Fábio Dantas, ex-deputado estadual e ex-vice-governador do Rio Grande do Norte, tem se posicionado como uma figura relevante no cenário político do PSDB. Em entrevista ao “Jornal da Manhã” da rádio Jovem Pan News Natal, ele comentou sobre a formação de uma chapa de pré-candidatos à Assembleia Legislativa e a dinâmica da disputa pelo governo estadual. Dantas declarou: “A gente tentou dar uma ajuda, no que foi possível, resta um pouco a chapa de deputado federal, sem esquecer da composição majoritária, que fica para depois do dia 4”.
O ex-vice-governador destacou que o alinhamento político vertical, que envolve a junção de forças em torno de uma única candidatura, é um desafio em uma eleição estadual. Para ele, dentro do PSDB, os pré-candidatos a deputados têm total liberdade para escolher seus respectivos candidatos a governador e senador, conforme os interesses de suas regiões.
Polarização política e busca por alianças
Fábio Dantas, que também é empresário na área de destilação de cachaça em São José do Mipibu, afirmou que, apesar da polarização política que tem marcado o cenário nacional, o PSDB está se esforçando para agregar pessoas com diferentes ideologias e orientações partidárias, buscando uma convergência por afinidade.
Recentemente, ele recebeu um convite para participar da elaboração da chapa proporcional de um grupo político liderado pelo prefeito de Natal, Paulinho Freire, que é do União Brasil. A colaboração inclui figuras como o presidente da Câmara Municipal, Ériko Jácome, e o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, que tem promovido diversas filiações ao PSDB, entre elas a de deputados e influenciadores da região.
Expectativas para as eleições e composições de chapas
Como presidente estadual do PSDB, Ezequiel Ferreira acredita que o partido está formando um grupo capaz de “construir uma grande vitória”, reforçando seu compromisso de fazer promessas que possam realmente ser cumpridas. Fábio Dantas mencionou que a construção da chapa ainda está em andamento, deixando espaço para novas filiações até o fechamento do prazo. Ele acredita que, com o planejamento adequado, é possível eleger até sete deputados estaduais. Contudo, ele ressalta que esse número é apenas uma estimativa, já que as eleições sempre trazem surpresas.
Quanto à chapa para candidatos a deputado federal, Dantas opinou que nomes como Milena Galvão, advogada e vice-prefeita de Currais Novos, e Micarla de Souza, ex-deputada e ex-prefeita de Natal, podem ser cogitados.
Eleição para o governo e o cenário atual
Na análise de Dantas, as eleições para o governo do Estado devem ser decididas em um segundo turno, com Álvaro Dias, que está migrando para o PL, e Cadu Xavier, do PT, como candidatos fortes. Ele também comentou que o apoio do presidente Lula ao candidato petista pode ser decisivo para que ele alcance o segundo turno, superando outros candidatos como o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.
Dantas acredita que a tradição do Rio Grande do Norte de eleger governadores alinhados ao presidente Lula é um fator relevante. Ele observou que a maioria dos governantes eleitos desde Vilma Faria conseguiram vitória com esse apoio, e a situação atual de Cadu Xavier é complicada devido à associação com o governo da atual governadora, Fátima Bezerra, que enfrenta desaprovação.
Expectativas e crítica ao eleitorado
Em sua reflexão pessoal, Fábio Dantas ainda não definiu seu apoio a um pré-candidato ao governo, preferindo aguardar as propostas de cada um. Ele manifestou que, até agosto, espera analisar mais profundamente os projetos políticos que estejam sendo apresentados, pois não viu, até o momento, propostas convincentes.
Dantas expressou que a falta de atenção às propostas é uma dificuldade que enfrentou em sua própria campanha em 2022, quando apresentou um plano de governo mas sentiu que o público não estava receptivo. Ele destacou a necessidade de um candidato que realmente se preocupe com o estado e que possa apresentar soluções viáveis.
Dificuldades econômicas e a situação dos eleitores
O ex-vice-governador também ressaltou que a descrença do eleitor na classe política é uma barreira a ser superada. Ele indicou que muitos eleitores buscam candidatos populares, não necessariamente os mais preparados, o que dificulta a construção de um projeto político efetivo. Dantas citou dados alarmantes sobre o emprego no Rio Grande do Norte, apontando que o Estado perdeu mais de 2.200 vagas de trabalho em fevereiro, ressaltando a necessidade de um enfoque em políticas que priorizem a geração de emprego e renda.
Por fim, Dantas reiterou que é vital que as políticas públicas ajudem a população a se inserir no mercado de trabalho, especialmente aqueles que dependem de programas sociais. Ele enfatizou que o futuro do Estado requer iniciativas sérias que vão além de promessas vazias, e que é urgente um novo direcionamento para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
