Vice-Prefeito Assume Responsabilidade em Mossoró
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, do União Brasil, anunciou que antecipará sua renúncia em três dias, deixando o cargo nesta sexta-feira, 27. Originalmente, a saída estava programada para 30 de março. Com essa decisão, o vice-prefeito Marcos Bezerra, do PSD, assumirá a Prefeitura e deverá concluir o mandato até 31 de dezembro de 2028. Essa movimentação acontece em meio à preparação de Allyson para sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte.
A partir do final de semana, sem o mandato, Allyson iniciará uma série de viagens pelo estado em busca de apoio e fortalecimento de sua posição nas eleições deste ano. Acompanhá-lo nessa jornada estará o deputado estadual Hermano Morais, do MDB, que se desvinculou da bancada governista para se candidatar a vice-governador. Além disso, a primeira-dama, Cintia Pinheiro, também integrará a comitiva como pré-candidata a deputada estadual.
Consequências da Renúncia e Desdobramentos Legais
Com a renúncia, Allyson Bezerra perderá o foro privilegiado, o que o expõe a processos judiciais, incluindo as investigações da Operação Mederi. Esta operação da Polícia Federal visa desmantelar um esquema de desvio de recursos da saúde pública em Mossoró, onde o prefeito é considerado um dos principais alvos.
De acordo com as apurações da PF, Allyson estaria no comando de um grupo criminoso que se beneficiava de um esquema de propina, recebendo 15% dos valores de contratos firmados entre a Prefeitura de Mossoró e a empresa DisMed Distribuidora de Medicamentos. As investigações estão sendo conduzidas com a autorização do desembargador federal Rogério Fialho, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, com sede em Recife.
Desdobramentos da Operação Mederi
A Operação Mederi tem revelado uma série de informações comprometedores sobre a gestão de Allyson. Entre os dados levantados, já foram identificados mais de R$ 800 mil em possíveis propinas. Um dos pontos destacados envolve uma servidora que denunciou que um depósito feito por uma empresa sob investigação era, na verdade, um pagamento por um galpão.
O inquérito também apura a relação de um auxiliar do gabinete de Allyson, que recebeu quase meio milhão de reais de uma empresa sob investigação, e a descoberta de dinheiro em espécie na residência de um secretário do prefeito. Além disso, há indícios de que o esquema utilizou uma conta “laranja” em nome de um menor de idade.
A gestão de Allyson, notoriamente, adquiriu quase 8 milhões de comprimidos para tratamento de pressão alta em apenas um ano, levantando questionamentos sobre a necessidade e a transparência desses contratos. As investigações continuam, e as evidências sugerem que a propina de 15% poderia ter rendido mais de R$ 2,2 milhões, levantando sérias preocupações sobre os impactos na saúde pública local e a ética da administração municipal.
Com essa situação, a decisão da Operação Mederi também destacou a natureza do esquema criminoso, revelando detalhamentos sobre como as propinas eram cobradas e o papel de cada implicado dentro da organização. Uma gravação interceptada pela PF trouxe à tona uma citação que aponta o prefeito como “ladrão”, evidenciando o clima de tensão que envolve a administração de Mossoró e a luta por justiça.
