Desafio econômico: inadimplência em alta
Em 2025, o estado do Rio Grande do Norte registrou um alarmante número de 96.133 empresas com dívidas, conforme dados da Serasa Experian divulgados recentemente. Cada uma dessas empresas inadimplentes tinha, em média, 6,7 contas negativadas, resultando em uma dívida média de R$ 22.575,93 por CNPJ, o montante mais alto de toda a região Nordeste.
Para se ter uma ideia do cenário, a Bahia lidera a lista de estados com o maior número de empresas inadimplentes, contabilizando 386.175, e uma dívida média de R$ 17.027,58 por CNPJ. Já a Paraíba, com 104.664 empresas em dívidas, ocupa a segunda posição em termos de endividamento médio, atingindo R$ 21.097,93 por CNPJ.
Causas da inadimplência
Segundo o economista Janduir Nóbrega, diversos fatores contribuem para esse quadro preocupante. Ele aponta a falta de planejamento financeiro e a dificuldade das empresas em saldar suas dívidas como raízes do problema. “As empresas que são bem geridas geralmente enfrentam menos problemas de inadimplência, assim como um consumidor que não se organizou financeiramente e, consequentemente, não consegue honrar seus compromissos”, esclarece.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, conecta esses números a um ambiente econômico desafiador. “O ano de 2025 foi marcado por uma oferta de crédito bastante restritiva e por taxas de juros elevadas, o que prejudicou a capacidade de muitas empresas de alongar suas dívidas e recuperar seu capital de giro. Isso resultou em um aumento constante da inadimplência durante os meses, levando a um novo recorde histórico de empresas endividadas no final do ano em todo o país”, explica.
Setores com maiores índices de inadimplência
Em uma análise setorial realizada pela Serasa, os Serviços foram os mais afetados, representando 55,2% do total de empresas inadimplentes em dezembro de 2025. Essa tendência evidencia a necessidade urgente de políticas públicas e iniciativas privadas que visem a recuperação do setor e a promoção de uma gestão financeira mais eficiente entre os empreendedores da região.
Os dados apresentados colocam em evidência a necessidade de discussões mais amplas sobre a saúde financeira das empresas potiguares e o ambiente econômico que as circunda. O aumento da inadimplência não é apenas um reflexo das dificuldades enfrentadas pelo setor, mas também uma chamada à ação para a implementação de estratégias que ajudem os empresários a superar esses desafios, promovendo assim uma recuperação econômica sustentável no Rio Grande do Norte.
