Análise da Cesta Básica nos Municípios do RN
No mês de janeiro de 2026, o custo da cesta básica apresentou uma tendência de queda nos quatro municípios do interior do Rio Grande do Norte acompanhados pelo Laboratório de Engenharia Econômica da Universidade Federal Rural do Semi-árido (Lecon/Ufersa). Essa redução média foi de aproximadamente 0,7%, refletindo um cenário favorável para os consumidores.
Caraúbas foi a cidade que registrou a maior deflação, com uma diminuição de 1,6%, alcançando o valor de R$ 528,61. Em seguida, Mossoró também apresentou uma queda, embora menos acentuada, com 0,8% e um custo de R$ 517,96. Angicos, por sua vez, teve um recuo de 0,4%, com a cesta básica custando R$ 519,44. Pau dos Ferros foi a única cidade a mostrar uma leve estabilidade positiva de 0,1%, com um preço de R$ 516,20, mesmo assim, consolidando-se como a cidade com o valor nominal mais baixo entre as pesquisadas.
Os dados para Pau dos Ferros e Angicos foram obtidos com base na ausência de levantamento nos respectivos períodos, o que pode ter influenciado os valores estimados. Esse cenário aponta uma dinâmica interessante no mercado de alimentos do interior potiguar e pode ser indicativo de mudanças nas tendências de consumo.
Comportamento Regional e Nacional dos Preços
O panorama regional em janeiro de 2026 mostra um Nordeste com comportamentos de preço bastante distintos. Enquanto a maioria das capitais e grandes centros urbanos enfrentou aumentos nos preços da cesta básica, o interior do Rio Grande do Norte, assim como o extremo norte da região (Maranhão e Piauí), apresentou deflação. Essa realidade evidencia que o interior potiguar possui preços mais acessíveis em comparação com as capitais litorâneas, que continuam a experimentar patamares mais elevados e pressões inflacionárias mais intensas no início do ano.
Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), o cenário nacional da cesta básica entre o final de 2025 e o início de 2026 foi caracterizado por uma deflação generalizada em itens de estoque e commodities, como leite integral, óleo de soja, arroz e açúcar. Essa queda de preços foi impulsionada por uma alta oferta desses produtos e pela valorização do real. No entanto, o café também seguiu uma trajetória de queda na maioria das cidades, apesar de enfrentar pressões climáticas e externas que poderiam impactar os preços.
Desafios para o Orçamento Doméstico
Por outro lado, o orçamento doméstico das famílias foi pressionado pelo aumento significativo no preço do tomate, que sofreu consequências da baixa disponibilidade de frutos de qualidade. Além disso, o preço do pão francês também subiu, reflexo do encarecimento da energia elétrica e da farinha importada, o que gerou preocupações sobre a continuidade da tendência de queda nos custos da cesta básica.
Os dados apresentados são frutos do Boletim ICBE do Laboratório de Engenharia Econômica (Lecon), vinculado ao curso de Engenharia de Produção da Ufersa, que realiza levantamentos periódicos nas cidades onde a universidade atua. A coordenação do levantamento em Mossoró é feita pelos professores Thiago Costa e Cristiane Tabosa; em Angicos, pelo professor José Alderir; em Caraúbas, pelo professor Fabiano Dantas; e em Pau dos Ferros, pelo professor Anderson Lemos.
Essas análises são fundamentais para entender as dinâmicas de preços e o impacto direto no consumo das famílias, além de possibilitar um olhar atento para as políticas públicas que podem ser implementadas visando à melhoria da qualidade de vida da população.
